DF: Empresária de cervejas artesanais se reinventa durante a pandemia

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Segundo a empresária, a estratégia foi levar o mesmo diálogo que ela possui com consumidor pessoalmente para as redes sociais. (Imagem: Freepik)

O interesse de Patrícia Muller por produzir cervejas artesanais começou há seis anos. Jornalista por formação, a empresária trabalhava na televisão quando uma amiga sugeriu a criação de uma cerveja exclusiva para venda na Fazenda São Bento, propriedade da mãe de Patrícia que funciona como pousada e que está localizada na Chapada dos Veadeiros.

A jornalista acolheu a ideia e se juntou à professora da Universidade de Brasília (UnB), Grace Ghesti para desenvolver o produto que seria comercializada exclusivamente na fazenda. “Escolhemos um estilo que tivesse afinidade com a nossa história, porque meu avô veio da Áustria para cá. Escolhemos uma weissbier, que é uma cerveja alemã”, lembra Patrícia.

A primeira cerveja, feita em pouca quantidade, já se mostrou um sucesso, dando início à Cervejaria São Bento. “Eu estava trabalhando e minha mãe falou ‘tá um sucesso’. Quando eu fui para casa experimentei e achei a cerveja realmente maravilhosa”, relata a jornalista. Foi assim que Patrícia se aproximou cada vez mais do universo das cervejas artesanais e começou a ampliar seus conhecimentos na área.

Um dos primeiros cursos foi o de sommelier de cervejas do Science of Beer Institute, conceituada organização de ensino especialista em cerveja. Aos poucos, a empresária foi descobrindo o universo das cervejas belgas, inglesas e das bebidas mais complexas.

“Me apaixonei e resolvi que queria trabalhar com isso. Depois de um tempo, tirei férias e fui para Buenos Aires. Lá decidi: ‘tenho que fazer isso mesmo na minha vida’. Eu tinha medo de pedir demissão. Mas acabei pegando minha rescisão, fui pra Blumenau, estudei e aprendi a ser cervejeira caseira”, acrescenta. 

Em seguida, Patrícia foi ao Rio de Janeiro participar de cursos técnicos e na volta começou a fazer cervejas de trigo para presentear aqueles que se hospedavam na fazenda e se surpreendeu com o retorno.

“As pessoas começaram a voltar na pousada por causa da cerveja, falando que era a melhor cerveja que já tinham tomado. Começou a surgir, então, uma demanda que eu não conseguiria atender, pois tinha uma produção pequena”, conta.

Para conseguir atender à demanda, a empresária montou um laboratório na antiga casa de queijos da avó, na fazenda. Ainda assim, a fabricação era pequena, rendendo aproximadamente 100 litros a cada produção. A demanda ainda era maior.

“Pensei: ‘vou tomar coragem e vou terceirizar a produção.’ No ano seguinte, encontrei uma fábrica que estava inaugurando, focada em terceirizar a produção para quem não tinha fábrica. Em agosto de 2017 fui para lá, fiz a cerveja, e conseguimos trazer a cerveja para cá em novembro daquele mesmo ano”, conta.

A cerveja é do tipo weissbeer, leva o nome da fazenda e foi o primeiro produto a ser lançado. Em 2019, foi lançada a “Carolina Kd Vc?”, uma session ipa com mangaba, nomeada em homenagem à filha mais velha de Patrícia. Além das cervejas, a empresária conta que vende conservas com frutos do cerrado e um molho de pimenta que é feito com a cerveja “Carolina Kd Vc?”.

Entretanto, a pandemia causada pela Covid-19 trouxe desafios para a empresária.

“Antes da pandemia, só vendíamos a cerveja na Chapada dos Veadeiros, na pousada e no café. Quando a pandemia veio, eu não investia nas redes sociais, era tudo pouco trabalhado. Não tinha nem site”, conta Patrícia.

A empresária viu uma oportunidade durante a Semana de Transformação Digital do Sebrae, em abril. Além disso, ela também participou do projeto Sebrae Delas, que oferece diversas ações para incentivar, apoiar e fortalecer a cultura empreendedora entre as mulheres.

“Minha estratégia foi levar o mesmo diálogo que eu tinha com meu consumidor pessoalmente para as redes sociais. É um caminho bom, que me possibilitou fazer parcerias: vendi para Formosa, São Paulo, Rio de Janeiro”, conta.

Aos poucos, os investimentos nas redes sociais vão mostrando ótimos resultados.

“Montei um catálogo virtual, que antes eu não tinha. […] Várias coisas mudaram durante a pandemia; eu cresci muito como empresária, como profissional. Tive que reinventar tudo. Eu tinha muito problema com vídeos, mas gravei três lives. Fui convidada para participar e aceitei. Surgiu um projeto para fazer podcast sobre bebida no futuro. Então, me reinventei.”

Para o futuro, a empresária conta que pretende expandir os horizontes e investir na produção de destilados. “A destilaria tem um custo mais baixo. Eu me apaixonei por essa história da cachaça dos frutos do cerrado com gin. Meu projeto é casar a cerveja com o envelhecimento, com os barris, com a cachaça”, completa Patrícia. O objetivo é vender as bebidas destiladas em uma escala maior.

Com informações ASN – DF

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